ECLIPSE PARCIAL DA LUA
28/08/2026
(imagem de ©Vito Technology)
por Marco Antonio H. de Menezes
(marcomenezesbrrj1@gmail.com)
“Não quero
lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é
melhor que sonhar
Eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto
É menor do que a vida de qualquer pessoa”
(trecho da
música “Como Nossos Pais” de Belchior)
No
dia 28 de agosto de 2026 (por volta da 1 hora da madrugada, horário de
Brasília) ocorre o eclipse Lunar parcial, totalmente visível em toda a América
Central e América do Sul e na parte dos EUA e do Canadá voltada para o leste. Portugal
e parte da África voltada para o Oceano Atlântico poderão ver boa parte do
evento. Os demais países da Europa, da África, Ásia e Oceania poderão ter pouca
ou nenhuma visualização do eclipse, devido à posição da Lua no céu.
Este
eclipse é chamado de Lua do Esturjão e um pouco mais de 96 por cento da Lua
estará coberta pela sombra que a Terra projetará quando passar entre ela e o
Sol.
Este
eclipse pertence à série de Saros de eclipses lunares 138, que iniciou em 15 de
outubro de 1521 e que terminará em 30 de março de 2982. Este, do dia 28 de
agosto de 2026, será o último eclipse parcial antes de começar um ciclo de eclipses
totais da Lua em 07 de setembro de 2044.
Deixarei
alguns links mais abaixo, se quiserem saber mais.
Como
todo eclipse lunar, ele ocorre durante a fase da Lua Cheia, ou seja, quando a
Lua está fazendo oposição ao Sol.
Do
ponto de vista astrológico ele ocorrerá com a Lua Cheia aos 4 graus e 54 minutos
do signo de Peixes em oposição ao Sol aos 4 graus e 54 minutos do signo de
Virgem.
O
Sol estará em conjunção com o regente de Virgem, Mercúrio, e tanto a Lua quanto
Sol e Mercúrio estarão em quadratura com Urano em Gêmeos (outro signo regido
por Mercúrio).
Será
um eclipse ativando energias mutáveis no céu astrológico. Peixes, Gêmeos e
Virgem são signos mutáveis, ou seja, responsáveis por marcar o fim de uma
estação, preparando o planeta para o início de uma nova estação. No caso,
estamos terminando o inverno no hemisfério Sul para que comecemos a primavera, enquanto
que no hemisfério Norte temos a fase final do verão para que seja iniciado o
outono.
Peixes
é o último signo do zodíaco ocidental, marcando o fim da mandala astrológica
ocidental.
Temos
um cenário astrológico que prenuncia mudanças, mas estas mudanças, por ser uma
Lua Cheia, chegam ao seu auge. Toda oposição, toda Lua Cheia representa o auge de
um ciclo, então toda uma fase de vida e de energia atinge seu ponto máximo, o
seu pico. Dali para diante temos uma fase de decrescimento, de diminuição, de
preparação para a entrada numa nova fase, tudo tende a perder a força, a atratividade
e o esplendor que antes existia. Pensa que antes todos estavam se preparando
para a festa e agora que a festa acontece já se preparam para o fim dela, a saideira,
a despedida dos convidados, a limpeza do ambiente, o dia seguinte...
Mas
agora é a festa e esta festa ocorre no signo de Peixes.
Por
um “acaso”, o grau de Peixes em que ocorre o eclipse na sua fase mais marcante,
é dito como o da quermesse de uma igreja, segundo Dane Rudhyar em seu livro Uma
Mandala Astrológica (publicado no Brasil pela Ed. Pensamento). É um momento
perfeito para fortalecer a interação entre as pessoas por meio de algo que
possui um cunho espiritual. Nada melhor do que uma quermesse ou uma festa
religiosa, certo?! Peixes é um signo mutável voltado para o nosso lado espiritual
no seu nível máximo de entrega, de desapego, de dedicação a uma causa maior.
Peixes é um signo do elemento água e a Lua é regente do signo de Câncer, outro
signo do elemento água e que iniciou o solstício de inverno no hemisfério Sul e
o solstício de verão no hemisfério Norte.
Então
nós temos a Lua anunciando num eclipse lunar que atingimos o auge de uma
energia que foi gerada dentro de um solstício do elemento Água. E anuncia que
algo vai começar a perder o valor que estávamos concedendo até aqui. Peixes é
um signo que valoriza menos o material e muito mais o que é imaterial,
espiritual, psicológico, menos palpável. Peixes valoriza o que se passa em
nosso interior, em nossa psique, em nosso mundo interno, em nossa vida espiritual.
É dito que Peixes se doa para o mundo, que abre sua energia para o mundo. Mas Peixes
pode simplesmente não se abrir, não se doar, mas apenas valorizar muito mais o
seu mundo interior, a sua própria visão da vida, desprezando e/ou afastando-se
do mundano. Pode ser difícil adaptar o mundo interior ao mundo exterior e
vice-versa. Portanto a quermesse pode ser o evento perfeito para que os mundos
se conheçam, se locupletem, se conversem, se interajam, se complementem, porque
talvez seja necessário, no cenário atual, a interação, a comunicação entre o
mundo objetivo e o mundo subjetivo.
No
entanto, com a Lua em um signo de água e na sua fase Cheia, tudo assume enormes
proporções, tudo fica sob uma lente de aumento, tudo fica pleno demais,
significativo demais, intenso demais, exageradamente emocional. Com o eclipse lunar,
esta energia intensa é voltada para o interior de cada um de nós. Algo dentro
de nós será evidenciado, mas como estamos em Peixes, poderá ser desprezado,
descartado, simplesmente deixado de lado, porque agora não sentimos que aquilo
dali ainda possa ser útil para a nossa caminhada. Entretanto, diferente do
eclipse solar, onde houve também uma energia de descarte, aqui as coisas
ocorrem dentro de cada um de nós. Não é algo que fazemos para o público ver,
mas é algo que sentimos dentro de nós, algo que esmorece dentro de nós.
Repentinamente uma luz se apaga, um brilho que antes nos encantava já não tem
mais valor, uma atitude que nos encantava já não chama mais a nossa atenção, um
prazer que nos deliciava já não conforta nossos sentidos. Algo morre, algo
chega ao fim e, talvez, sem estardalhaço, porém, ainda que não haja
estardalhaço, podemos sentir que o fim de algo abre o espaço, abre o buraco,
abre oportunidades, abre um novo túnel. Ao mesmo tempo que estamos vendo algo
apagar, começamos a ficar doidos por abraçar algo sem nem mesmo entendermos se
é bom ou ruim e se estamos prontos ou não para cairmos de boca na nova fase.
É
aí que entra o Sol e Mercúrio em Virgem. Esta conjunção durante o eclipse lunar
pode ser perfeita para que tenhamos a mente pronta para analisarmos antes de pisarmos
na jaca pisciana do “ao infinito e além”. Por um lado, nós percebemos que algo realmente
chegou ao seu máximo e já está maduro o suficiente para pegarmos e até percebemos
que aquilo precisa ser feito agora, antes que apodreça, antes que caia no chão
e seja entregue às intempéries a que se sujeitam os frutos que chegam à sua
maturidade e não são consumidos de imediato. O auge é a árvore cheia de frutos,
sendo que parte destes frutos pode ser aproveitada para se tornar alimento ou algo útil para todos e outra parte não consegue passar pelo nosso padrão de
qualidade ou talvez seja devorada pelos animais ou atacada por alguma praga ou
talvez caia e fique muito tempo no chão para que possamos aproveitá-la. Precisamos
analisar, questionar, averiguar, justificar o uso que daremos ao que está
começando a nos atrair, ao mesmo tempo que precisamos perceber o que faremos
daqui por diante com a ausência daquilo que foi desprezado, que foi descartado.
Virgem é um signo mutável do elemento terra, então é preciso que olhemos tudo
de um ponto de vista prático, racional e objetivo para que possamos cultivar,
semear, cuidar e colher o que é necessário e sem perdas, sem negligência, sem
perder o contato com a realidade. Virgem está sempre pronto para ajudar, para
oferecer o seu conhecimento, para questionar a maneira como devemos direcionar
a nossa energia.
As
imagens dos graus do Sol e de Mercúrio em Virgem sinalizam que este é o momento
da abertura para novos níveis de consciência e de uso objetivo/prático destes
novos níveis de consciência. Se viajarmos demais no desapego oferecido pela Lua
Cheia eclipsada em Peixes, perdemos o contato com a realidade, afundamos numa
depressão, numa fuga, num carrossel que só acelera e que nos coloca em rota de
colisão ou de projeção para fora do mundo real. Voltamos para a quermesse: vamos
comer tudo o que tem na quermesse, vamos adquirir tudo o que é vendido na quermesse,
vamos nos divertir em todos os brinquedos que estejam presentes na quermesse?
Ou vamos abdicar de nos envolvermos com qualquer coisa que exista na quermesse
para nos fazermos de superiores, de iluminados, de exemplos? O meio-termo se
faz necessário. As emoções podem ficar desenfreadas e levarem cada um de nós a
uma condição espiritual de abertura a qualquer tipo de influência, de
manipulação e/ou de falta de percepção da realidade. Podemos deixar que o
fundamentalismo interno venha à tona, que o apego a uma religiosidade ou
espiritualidade nos impeça de abraçar e entender o mundo como ele é, que a falta
de discernimento nos faça mergulhar em visões cada vez mais distorcidas e mais
distantes da realidade só para que possamos ficar mais confortáveis. Isto pode
ser daninho ao ponto de nos tornarmos messiânicos, abusivos, loucos,
manipuladores, egocêntricos, medrosos, inconstantes e vazios, por exemplo. A conjunção Sol/Mercúrio em Virgem chama cada um de nós para a análise, para o
corpo, para a realidade, para o pé no chão, para a percepção do que está
acontecendo ao nosso redor, para o pensamento antes da ação, para a ponderação.
Eu
sei que as palavras são bonitas e a realidade é mais gritante, porém é preciso
que as pessoas entendam que estamos numa fase de mudanças fortes e impactantes
que ocorrem tanto fora quanto dentro de cada um de nós. O eclipse lunar só está mostrando que agora
entraremos num circuito de desligamento involuntário de certas situações para
que possamos dar a devida atenção para outras situações ou para que comecemos a
trazer à tona algo mais prático para o momento que vivemos. Pode ser que tudo
isso se passe de uma maneira dolorosa para aqueles que se apegam demais ao que
já perdeu força, ao que já não consegue sustentar a vida, ao que não consegue organizar-se
de maneira saudável.
Este
eclipse é marcado pela quadratura de Urano tanto à Lua em Peixes quanto ao Sol
e a Mercúrio em Virgem. Esta posição de Urano em Gêmeos segundo a interpretação
do grau fala de uma exploração ávida de novos recursos. A nossa ambição é o
desafio. Para onde nos leva a nossa ambição: para um mundo sensato ou para um
mundo que não considera racionalmente a realidade que nos cerca? Se algo está
morrendo, vamos perder tempo sendo reacionários ou vamos aprender a assumir que
o tempo pede para que ajudemos na emergência de uma revolução que varrerá para
longe os nossos medos e os nossos preconceitos? Não é uma fase de promessas de
um mundo perfeito, mas de possibilidade de começarmos a reorganizar o mundo. Podemos
abraçar tudo sem considerarmos os prós e os contras ou podemos analisar até que
ponto o que parece interessante é apenas uma miragem que se aproveita de nossas
ambições mais desmedidas.
Se
o eclipse solar de 12 de agosto chamou a atenção para que repensemos a forma
como nos submetemos ao nosso ego e à nossa sede por poder, agora precisamos
entender o que de útil estamos fazendo por aqui e o que precisamos fazer de
prático para construir algo sustentável não apenas para nós, mas para o nosso
futuro.
Esta
posição do Sol e de Mercúrio em Virgem e da Lua em Peixes ainda sofrerá um
forte impacto quando Marte começar a passar por esta posição, porque Marte
ficará retrógrado em Virgem e estenderá a energia deste eclipse por todo o
primeiro semestre de 2027.
Na
verdade, tudo o que estaremos fazendo agora será submetido a um bloco de
dificuldades e de testes muito sérios até terminar o primeiro semestre de 2027.
Nada ficará assegurado até que o primeiro semestre de 2027 tenha acabado. Parecerá
que tudo e todos farão o que for necessário para contestar, para atrapalhar,
para atrasar e para impedir as direções antes atingidas ou consideradas. As
correntes de pensamento entrarão em choque violento umas contra as outras. Tentem
manter o equilíbrio, pois este não é um momento fofo. Este é o momento que vai
nos convidar a todo momento para o despertar para a realidade. A ilusão vai ser
apresentada, muitos vão abraçá-la e defendê-la com unhas e dentes para logo em
seguida se sentirem sem graça com o desnudar da mesma. O problema é que mal as
pessoas abraçam a ilusão, ela se revela como tal: aí ou as pessoas acatam a
realidade e se redimem ou ficam passando pano ou, o pior, sustentam a ilusão e
fogem totalmente da realidade.
A
morte não passa pano, a morte desperta os nossos sentidos. A morte não olha
religiosidade, ela nos faz ver o que de fato é o espírito. A morte não tem
partido, ela parte o que está vivo. A morte não manda recado, ela é o recado.
Aceitem o fim das ilusões ou se afoguem nelas! Sinto muito, se estou parecendo
fatalista! Mas é apenas como eu estou vendo a realidade!
Eu
vejo uma realidade maravilhosa emergindo, mas vejo também, as pessoas se
apegando a ilusões que já não têm nem mesmo o pudor de se mostrarem mais
disfarçadas. É triste e doloroso! Por outro lado, é alegre e satisfatório ver
pessoas abrindo portas, plantando novos caminhos, assumindo corajosamente novas
e construtivas formas de enxergar a realidade. É caótico ver o mundo assim, e preciso
alertar que o caos e a cacofonia tendem a aumentar até que tudo se torne
novamente construtivo de fato.
Não
gostou? Achou exagerado? Então parem de defender pautas que estão matando, que
estão secando, que estão murchando, que estão inutilizando o prazer de viver. Nós
somos melhores do que isso!
Mas
esta é a uma visão particular e pode ser que eu esteja errado.
Todavia,
tenho mais uma coisa a trazer: o Dedo de Deus!
Acontece
que Netuno em Áries e Plutão em Aquário, ambos retrógrados, performarão uma
angulação no céu que apontará para a conjunção entre Sol e Mercúrio no momento
do eclipse e a esta angulação chamamos de Dedo de Deus ou Yod. Eu vou resumir
da seguinte maneira: a natureza será capaz de mostrar ao homem (de forma mais
enfática do que o normal) que está na hora de respeitá-la e de que está na hora
de ele aprender a ser respeitado porque age como um ser maduro perante ela. Tudo
tem limites, mas todos os limites permitem inovações criativas e saídas que vão
além do ego polarizado e cheio de rancores e cheio de ambições. Se queremos ser
uma coletividade saudável precisamos aprender a perceber o quanto é importante
cada pessoa ser estimulada a trazer à tona o seu melhor, em lugar de sermos
pessoas críticas, questionadoras e preconceituosas. A natureza não distingue
nada, ela apenas abraça a diversidade como algo necessário para o equilíbrio. O
homem (leia-se humanidade) precisa sair do papel de dominador do mundo para ser
parceiro do mundo em que vive. A natureza pode não distinguir nada, mas ela não
poupa esforços para encontrar seu equilíbrio.
É
isso, meu caro viajante das estrelas!
Inté!!!
LINKS:
https://starwalk.space/pt/news/partial-lunar-eclipse-august-28-2026
https://app.astroway.info/pt/eclipses/lunar/2026-08-28
https://en.wikipedia.org/wiki/Lunar_Saros_138
https://theskylive.com/lunar-eclipses/2026-08-28