Sobre Marco Menezes

Trabalho, basicamente, com Tarot, Reiki, Numerologia e Astrologia. Sou formado em Farmácia pela UFRJ e lido com óleos essenciais, participei de workshops de florais com os principais co-criadores. Atualmente atendo somente online: via WhatsApp, Telegram ou Skype. Se deseja atendimento comigo entre em contato usando o e-mail: marcomenezesbrrj1@gmail.com .Este blog é apenas uma maneira de ver o mundo que nos cerca, com todas as nuances que for possível vê-lo. Sinta-se à vontade, mas respeite o espaço! ;)
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05 novembro 2020

Bolsonaro em 2021

 Bolsonaro em 2021

 Por Marco Antonio H. de Menezes

Para fazer este trabalho eu utilizei As Cartas do Caminho Sagrado (de autoria de Jamie Sams, ilustrações de Linda Childers e tradução de Fábio Fernandes, publicado pela Editora Rocco, 2ª edição) e Cartas Xamânicas (de autoria de Jamie Sans e David Carson, ilustrações de Angela C. Werneke e tradução de Pedro Karp Vasquez e Alzira M. Cohen, publicado pela Editora Rocco, 2000).

Para fins de conhecimento de quem é leigo, eu utilizei a Carta do Caminho Sagrado como a carta principal e a Carta Xamânica como refinadora do significado da carta principal. O método usado é embaralhar as cartas principais (com as imagens voltadas para baixo, sem qualquer possibilidade de visualização das imagens que as diferenciam) e tirar, intuitivamente uma delas. Depois, o mesmo procedimento é feito com as cartas xamânicas, sendo que neste caso, as cartas podem sair invertidas e isto pode dar um significado diferente, portanto o embaralhamento é feito para que elas saiam tanto invertidas, como na sua posição correta.

Antes de tirar as cartas, eu fixei o meu pensamento em Jair Messias Bolsonaro, atual presidente do Brasil. O meu foco aqui é saber como será o ano de 2021 para ele.

A Carta do Caminho Sagrado que saiu para ele foi a seguinte: Ritos de Passagem (carta 21), que significa Mudança.

A Carta Xamânica que saiu para ele foi a seguinte: Lince (carta 18) invertido, que significa Segredos.

A carta dos Ritos de Passagem fala sobre um momento importante para a pessoa em questão, pois é um momento de mudança para a sua vida. Um ciclo da sua vida está sendo concluído, o que o obriga a redirecionar a sua vida e a buscar um novo horizonte. Numa fase como esta, seria positivo para ele que agradecesse por tudo o que conquistou e convidasse para entrar em sua vida a nova etapa que está para ser iniciada. A mudança que está por vir para a sua vida não é algo ruim ou bom, mas de algo necessário. Seria positivo que ele não resistisse às mudanças, aceitando-as como algo natural de seu ciclo de vida. Neste momento, pode ser que ele passe por uma mudança no estado de saúde e/ou por uma mudança na forma como exerce os seus atributos como representante máximo do país e/ou por um afastamento de seu cargo, por exemplo. As mudanças pelas quais ele venha a passar ao longo de 2021 o colocarão num novo patamar de vida, não havendo volta, pois é como se a vida estivesse sinalizando que a etapa anterior já foi concluída. De qualquer maneira, esta fase representa um amadurecimento dentro do ciclo de vida da pessoa e é esperado que a pessoa saiba transformar estas mudanças em oportunidades para expandir os seus horizontes e o seu entendimento sobre a vida. Em nenhum momento a vida é madrasta, mas apenas uma via de amadurecimento de nossas posturas, obrigando-nos a mudar o que é preciso, promovendo condições que nos possibilitam olhar a vida por um outro ângulo, permitindo que nos desapeguemos da fase anterior e aceitemos que está na hora de abrir uma nova porta para nós.

A carta do Lince fala sobre um totem que valoriza o silêncio e a sabedoria de expressar-se no momento certo, retendo os segredos. O totem do Lince é para aqueles que são excelentes observadores e que sabem ler uma energia, uma pessoa e/ou um ambiente, percebendo seus segredos. O Lince não revela segredos de maneira gratuita, é preciso cativá-lo para que ele se sinta confiante para revelar algo e no momento mais adequado. Mas quando o Lince aparece como uma carta invertida é sinal de que em lugar de assumir uma postura reservada, a pessoa assumiu uma postura que colocou tudo em risco. Com esta carta, quando invertida, Bolsonaro deveria, em 2021, ser mais cauteloso ao se expressar, porque ao não pensar antes de falar e ao se expressar, não analisando os efeitos que as suas expressões terão sobre a vida dos outros e sobre o seu próprio futuro, ele corre o risco de ver tudo isto se voltar contra si e contra aqueles que nele confiavam. Ele pode pagar caro por não saber manter segredos ou por não saber conter a língua dentro da boca num momento em que a sabedoria pediria sobriedade e respeito. Bolsonaro pode ver toda a confiança que os outros depositavam sobre ela virar fumaça e a reconquista desta confiança não será fácil. Não é um bom momento para ele sair emitindo opiniões sem antes consultar os que o cercam e ouvir o que eles têm a dizer. Não é um bom momento para desvalorizar conselhos prudentes e não é um bom momento para acreditar que espontaneidade é bem aceita em todos os círculos. As pessoas que estão ao seu redor também poderão ser seus algozes, revelando segredos, abrindo brechas inesperadas na sua confiança, apunhalando-o pelas costas e desmascarando sua vida. A insensatez pode custar caro tanto para ele mesmo como para todos aqueles que estejam sob sua proteção. Por outro lado, este pode ser o momento em que segredos bem guardados não poderão mais seguir adiante, precisando vir à tona, expondo suas fraquezas, suas mazelas, seus problemas, suas dificuldades, suas intenções, seus comprometimentos, seu estado de saúde, sua verdadeira visão sobre os fatos, suas verdadeiras aspirações, seus verdadeiros julgamentos e opiniões sobre a vida, como se a vida dele (e de todos ao seu redor) fosse transformada em um vulcão que, repentinamente, explode e espirra por quilômetros tudo o que estava represado em seu interior. Muito cuidado, o Lince invertido não gosta de quem desrespeita a vida, afinal ele é o detentor dos segredos e esta é a sua moeda de troca: se a pessoa não se comporta com o devido respeito, o Lince não faz mais questão de proteger quaisquer segredos e nem encara mais a pessoa como sendo alguém digno do seu respeito e da sua confiança.

 Se juntarmos as duas cartas, podemos ver que Bolsonaro, em 2021, deveria ser muito prudente e cauteloso. A impulsividade, a ironia, o blefe, a falta de tato e a necessidade de expressar-se sem considerar as consequências serão possíveis fatores que acabariam voltando-se contra ele e contra todos que estejam ao seu lado, gerando mudanças fortes e irreversíveis que comprometeriam a maneira como vivia até aqui e como seguiria administrando o país. Por outro lado, pode ser um bom momento para ser sincero sobre alguma coisa que se passa com sua vida e/ou que o incomoda a ponto de não se sentir bem para levar adiante, assumindo que está na hora de mudar os rumos de tudo aquilo, antes que seja atropelado pelo que quer que seja e veja destruídas as suas pretensões (e, se não tomar cuidado, o seu futuro). Dentro desta fase ele pode ser obrigado a dar mais atenção para a sua saúde do que ele gostaria, pode ser que mude os rumos da maneira como governa, pode ser que mude radicalmente o perfil daqueles que o cercam, pode ser obrigado a encarar dilemas que colocam em risco a sua permanência no poder ou a maneira como tem lidado com o poder. Talvez seja o ano mais difícil para Bolsonaro lidar com os fatos e as pessoas, mas ou ele assume a necessidade de mudar algo ou ele será atropelado pela mudança, porém até para fazer as mudanças ele terá que ser muito cauteloso e prudente, respeitando ritos, pessoas e ânimos.

 Espero que tenha sido útil. Eu agradeço por ler e pensar sobre o que foi lido como forma de desenvolver um pensamento mais crítico sobre a realidade que nos cerca, não fazendo das minhas palavras uma verdade, mas um ponto de partida para ampliar os seus horizontes e buscar por mais respostas que abram portas mais estimulantes para a vida.



PS: Lembrando que isto é apenas uma tirada de cartas, por favor, contenham os seus ânimos políticos e entendam que este não é um espaço para desrespeitar as pessoas e nem a mim mesmo.

 

 
 
 





23 janeiro 2011

Deus e sagrado


Quando alguém pergunta como deve ser Deus, fica difícil dar uma definição que seja capaz de retratar esta figura tão controversa de nossa cultura atual. Sejamos sinceros, os diversos matizes culturais e religiosos tornam esta tarefa árdua e um tanto perigosa.

Um dia, percebi que aquele Deus que habita o coração de cada pessoa tem sido responsável pela destruição de grande parte destas pessoas.

Quando as religiões cristãs e similares passam a tornar inquestionável a figura de Deus, elas acabam por inserir em cada pessoa noções tais como: de perigo, de limitação e de medo de algo que nem bem sabemos o que de fato é. Quando tais noções e outras mais começam a crescer em nosso interior e são passadas geração após geração, nós começamos a perceber quão reféns nos tornamos de uma imagem distorcida, que tampa nossos anseios e nossas liberdades, que impede o salto evolutivo de cada ser e que impede até mesmo a melhor percepção do que seja Deus.

É costume, de muitas pessoas, jogar nos ombros de Deus (se é que ele tem algum!) as responsabilidades pelos seus atos, como se assim pudessem seguir confortáveis e sem qualquer responsabilidade pela vida. Podemos matar, estuprar, roubar, amealhar, mentir, denegrir, seduzir, raptar e outros tantos verbos sem que nos sintamos realmente responsáveis por isto, pois acreditamos que nossas almas ou serão salvas ou não e que este julgamento cabe a Deus.

A irresponsabilidade levada a cabo e aos extremos torna-nos insensíveis a nós mesmos, a nossa própria divindade, viola o nosso direito de sermos capaz de experimentar sem medo, sem julgamentos, sem deformações auto-impostas. O que nos faz humanos é a nossa capacidade para experimentar e irmos além em função de cada experimentação. Nós somos o nosso próprio Deus e damos forma ao mundo em que vivemos e damos forma a todo o Universo, como mais um grupo de seres participantes deste mundo. É a isto que chamamos livre-arbítrio ou, pelo menos, é assim que eu entendo o significado desta palavra.

È possível que existam milhares de Universos por aí e neles deve haver milhares de formas criadoras, então, por que negarmos a nossa verdadeira essência: de que somos os criadores e que cada um de nós é uma centelha daquilo que anima este Universo e que temos o direito de expandir nossas consciências para além das limitações impostas pela sociedade e dos seus ferozes mecanismos de controle?

Costumo bater repetidamente na mesma tecla de que quando pudermos encarar o outro como sendo nós mesmos, independente do que o outro seja, nós começaremos a nos respeitar mais e começaremos a viver livres do controle nefasto daqueles que sempre acham que nós somos cordeiros e precisamos fazer o sacrifício que ninguém realmente tem coragem de fazer.

Talvez nunca nós saibamos qual é a verdadeira identidade de Deus, mas cabe a nós respeitar a centelha divina que cada um de nós é e criar um mundo mais aberto e mais consciente. É uma dádiva viver aqui e podermos experimentar tanto, não deveríamos deixar que a mesquinharia nos faça viver como se fôssemos apenas um amontoado de carne desgovernado e sem sentido que mata por nada e se mata por menos ainda.

Quando tentamos definir Deus, começamos a inserir um outro conceito, o conceito do que é sagrado. A conceituação do que torna algo sagrado faz-nos mais uma vez reféns de nossas próprias distorções. Sacralizar algo não é torná-lo inviolável, não é torná-lo intocável e não é torná-lo distante da nossa realidade. Sacralizar algo é torná-lo palpável, interessante, inquietante, parte integrante de nossa rotina diária, é torná-lo algo que a todo momento nos instiga a avançar e a nos superar. O que torna algo sagrado é apenas o fato de que ali nós aprendemos a definir nossos mais saudáveis limites em lugar de aceitar definições prévias. Quando consideramos, por exemplo, nossos corpos sagrados, aprendemos a considerá-lo uma extensão de nossa vida e assim definimos o que ou quem realmente nos nutrirá (onde nutrição é tudo aquilo que alimenta fisicamente, mentalmente, emocionalmente e espiritualmente).

Se nos consideramos sagrados, aprendemos a criar em torno de nós uma série de procedimentos que nos permitem viver no mundo de maneira mais confortável para nós e isto não é individualismo frio ou egoísmo ou egocentrismo, é apenas saber impor respeito com sabedoria, para que os outros também possam ter seus espaços respeitados e possam trocar experiências sem invadir o mundo do outro.

Acontece que nós criamos um mundo populoso e que tende a ser cada dia mais populoso e onde a individualidade é descartada facilmente em favor do aparente bem-estar dos outros. Nós confundimos lei da sobrevivência com respeito. Nós confundimos ausência de limites com adaptação e invasão. Nós quase não temos tempo para ouvir nossa voz interior/nossa intuição, como se fôssemos um rádio com superlotação de emissoras. As mensagens passam distorcidas, quebradas, sem sentido. O nosso Deus interior torna-se apenas uma arma para reagirmos ao outro, por vezes de maneira agressiva, com fundamentalismos, com rancores, ódios e ensandecimentos mil. O nosso espaço sagrado é apenas um território pequeno e mesquinho que nada produz e ameaça ser invadido pelos “sem-esperança”.

Se quisermos exercitar aquilo que seja Deus e aquilo que seja sagrado dentro de nós, precisamos ser muito fortes e determinados para fazer do mínimo tempo e espaço de que dispomos uma reprodução da nossa verdadeira identidade. Assim como para um dançarino não há como deixar de dançar/exercitar um dia que seja caso contrário as dores serão terríveis quando volta a se exercitar, nós devemos exercitar diariamente nossas posturas, estando abertos para viver cada momento como se fosse realmente mágico.

Ninguém disse que a tarefa é fácil, mas ninguém disse que era para vivermos sob a tutela dos outros, acreditando que eles possam ser os únicos a nos orientar. Temos nossos próprios instrumentos de orientação, que tal exercitá-los? Quem sabe assim descobrimos a verdadeira natureza do Criador, não é mesmo?

Inté, gente!